sábado, 22 de agosto de 2009


Racismo: O caso grave do nosso pais continua:
A Raça Black mostra para você:
O preconceito ocultoO Brasil prefere o mito da democracia raciale fecha os olhos para a intolerância

Ana Carvalho e Aziz Filho
Montagem sobre foto de Alex Soletto
São 113 anos sem grilhões, sem as marcas da chibata. Mas em pleno século XXI a sociedade brasileira empurra os negros e seus descendentes – ou seja, 45% da população – para uma realidade muito parecida com a das senzalas. Para camuflar a responsabilidade por ter mantido por três séculos a escravidão e submetido os afro-brasileiros ao trabalho forçado e ao cativeiro, criou-se, respaldada na miscigenação, o mito da democracia racial. Como se vivêssemos num eterno desfile de escola de samba, a igualdade entre brancos, negros, mulatinhos e tantas outras variantes de cor, criadas para não encarar o preconceito, foi pregada como uma realidade capaz de maquiar a exclusão e a intolerância racial no Brasil. Para aqueles que não conseguiam enxergar dentro de casa a desigualdade e a sua
Renato Velasco
Paula e Cláudio Adão estão casados há 23 anos e ainda enfrentam preconceitoprofunda dimensão racial, a separação entre o Brasil e a África do Sul do apartheid era de um enorme oceano. Enquanto aqui negros e brancos dividiam o mesmo banco do metrô, na terra de Nelson Mandela insuflavam a segregação com leis abomináveis. Do lado de cá do mapa, lutar contra o apartheid sul-africano se limitava a repudiar o governo branco do continente negro. O regime sucumbiu em 1994, quando Mandela chegou à Presidência. Com o fim da ditadura racial no país africano, ficaram mais claros o racismo, a discriminação e a intolerância em países signatários de acordos de defesa dos direitos humanos. A máscara da hipocrisia começou a cair. O Brasil é um dos mais constrangidos, mas não está só. Em todos os quadrantes do planeta, oprimidos raciais, étnicos, religiosos e sexuais estão pondo a boca no trombone para cobrar atitudes coerentes de quem lutou contra o apartheid, mas mantém no seu quintal desigualdades tão abissais quanto as vividas na África do Sul. A intolerância levou o diplomata brasileiro José Augusto Lindgren, atual cônsul-geral em San Francisco (EUA), a propor à ONU a realização de uma nova discussão sobre o preconceito pós-apartheid. A III Conferência Mundial Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância será realizada em Durban (África do Sul) entre 31 de agosto e 7 de setembro.
Alan Rodrigues
Luiz Antônio: “É preciso reconhecer que existe uma questão racial no Brasil”
Desigualdade – O país de Lindgren, onde o mito da democracia racial foi nocauteado pelas estatísticas, tem contas a prestar. O mercado de trabalho é uma prova do tamanho da desigualdade: os negros ganham, em média, a metade do salário dos brancos. Os relatos e sugestões do Brasil ao mundo pós-apartheid serão definidos em um encontro nacional na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, entre os dias 6 e 8 de julho. Os organizadores dos dois eventos prevêem que o abismo entre negros e brancos concentrará as atenções tanto em Durban quanto no Rio.
O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), do Ministério do Planejamento, iniciou, em março, uma de suas pesquisas mais ambiciosas. Sob a coordenação do economista Ricardo Henriques, o instituto quer fazer um diagnóstico da desigualdade racial brasileira em todos os seus aspectos. A pesquisa deve ser concluída no fim de 2002. ISTOÉ teve acesso aos primeiros dados. Os resultados mostram que as leis existentes de nada adiantam. Um trabalhador branco ganha, em média, R$ 573 mensais. O negro, R$ 262. Nos dados do Ipea, o branco passa mais tempo na escola (6,3 anos) do que os negros (4,4 anos). Entre adultos de 25 anos, a situação é a mesma: o negro estuda 6,1 anos e o branco 8,4. O Ipea concluiu também que, se os negros tivessem a mesma escolaridade dos brancos, ainda assim seus rendimentos seriam 30% menores, de R$ 407. A diferença é fruto da discriminação no mercado de trabalho e nesse campo não houve avanços no último século.

Escolas no mapa das drogas:Você cuida de seu filho(a)?

Além do desempenho escolar, pais de alunos têm um motivo a mais para abrir o olho com os filhos.Isso ficou claro com os resultados de uma ação realizada pela Polícia Civil, divulgados ontem, que põem em evidência o avanço avassalador do crack.Omapeamento do tráfico de drogas no entorno de escolas de Porto Alegre e da Região Metropolitana deixa em alerta não só os responsáveis pelas crianças e pelos adolescentes, mas toda a comunidade escolar e a segurança pública.Denominada Operação Escola, o trabalho se iniciou no fim de março. Durante 10 dias, agentes das quatro delegacias do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) monitoraram e prenderam 28 traficantes. Desses, conforme o diretor do Denarc, Álvaro Steigleder, quatro tinham antecedentes criminais por tráfico de drogas.O flagrante atingiu desde o entorno de escolas de classe média alta, caso do Colégio Marista Rosário, até camadas mais populares, como a Escola Estadual Afonso Guerreiro Lima, no Vila Cruzeiro. Indicativo de que o consumo e o tráfico de entorpecentes estão disseminados em todas as classes sociais. Na avaliação do delegado, os locais monitorados apresentam grande fluxo de pessoas, o que facilita a circulação de traficantes.- E as próprias escolas acabam sendo atrativas aos criminosos, pela facilidade de abordagem e convencimento dos alunos - ressalta.A operação serviu também para constatar que a idade em que os jovens ingressam no mundo da droga vem diminuindo. Atualmente, a partir dos 10 anos, eles já estão experimentando maconha, cocaína ou até crack. E muitos passam pela primeira experiência por meio de amigos.- Estamos verificando a existência do aluno traficante. Um deles é encarregado de comprar uma quantidade maior da droga, e acaba repassando para os demais amigos. Grande parte deles acaba experimentando a droga não pela mão dos traficantes, mas pela dos colegas - afirma.Crack avança sobre jovens de classe médiaOutro aviso lançado pela operação foi o aumento do consumo de crack. Além dessa tendência, que já vem sendo notada nas ações realizadas pela polícia, tendo em vista o crescimento de 439% nas apreensões de crack nos três primeiros meses de 2008 em relação ao primeiro trimestre de 2007 no Rio Grande do Sul, é observado um avanço sobre jovens de classe média, que antes preferiam drogas mais leves, como maconha.- Isso é uma tendência geral. Não é mera coincidência que a quantidade de crack apreendida com esses traficantes seja bem maior do que a de maconha e cocaína. O crack também está presente nos alunos de escolas mais abastadas - assegura.Conforme Steigleder, a ação foi desencadeada depois de informações anônimas e investigação dos agentes. Ele afirma que locais crônicos de consumo de drogas nas proximidades das escolas continuarão sendo monitorados pela polícia.

Reportagem 2: "Trabalho infantil em matadouro: um crime ?

Dia 25/01, o Jornal Nacional (para humanos) e também outros jornais mostraram uma matéria muito triste sobre um matadouro (ou "abatedouro" como alguns chamam) em Caicó, Rio Grande do Norte, onde crianças de até 11 anos trabalhavam em troca de restos dos animais assassinados. Como de costume, não foi nem sequer mencionado os maus tratos terríveis e a crueldade para com os bois, vacas e bezerros, ali abatidos.
Imagine você uma criança - visivelmente pobre e subnutrida - de 11 anos, matando um boi! Pauladas na cabeça? Corte com facão no pescoço? Ou será que eram abertos ainda vivos? Ninguém sabe. Afinal, para eles isto não interessa! Quem se importa com o sofrimento ao qual estes animais eram submetidos? O absurdo para eles eram as crianças trabalharem quando deveriam estar na escola. O repórter também chamou a atenção para a precariedade do local (talvez se fosse mais limpo, tudo bem...) e deu a entender que o grande crime ali cometido era o trabalho infantil ilegal.
Com certeza, o último local onde qualquer criança deveria estar era num matadouro. Pensando bem, toda a criança deveria visitar um matadouro pelo menos uma vez em sua infância, para que pudessse - o quanto antes - parar de comer carne e virar vegetariano.
O que mais revolta é que nada foi mencionado; nenhuma palavra pronunciada; nenhuma linha sequer foi escrita sobre o quanto aqueles animais devem ter sofrido. Só para se ter uma idéia da barbaridade, um dos garotos ouvidos disse que gostaria de ter dinheiro para comprar todos aqueles bois, e assim não vê-los sofrer! Absolutamente terrível...
O pior: Caicó com certeza não é o primeiro nem o único caso deste tipo. Toda aquela região vive basicamente da pecuária bovina. Seja criança ou adulto, o importante é matar para vender! A secretaria da infância e o Juizado de menores foram até o local e provavelmente vão retirar todas as crianças do local e possívelmente fechar temporariamente o matadouro. Um final feliz para as criancinhas; missão cumprida pelo repórter... Quanto aos animais trucidados? Ah! quem se importa??

Reportagem:Você cuida do meio Ambiente?


Comemorado em 5 de junho, o Dia Internacional do Meio Ambiente é uma boa data para nos perguntarmos: nosso padrão e nível de consumo são sustentáveis?No Brasil, ao lado de uma parcela significativa de consumidores com um padrão de consumo dispendioso, comparável aos dos países ricos, temos uma maioria que, para sobreviver, consome pouco, mas que também persegue hábitos de consumo insustentáveis. Dessa forma, as políticas de consumo sustentável no Brasil devem estar relacionadas, em primeiro lugar, com a eliminação da pobreza, ou seja, elevar o piso mínimo de consumo daqueles que vivem abaixo de um padrão de consumo que garanta uma vida digna. Ao mesmo tempo, devemos mudar os padrões e níveis de consumo, evitando a concentração de renda, e promover um novo estilo de vida mais sustentável.Ainda há uma dificuldade em relacionar os problemas ambientais aos nossos hábitos de consumo cotidianos. Todos nós brasileiros somos preocupados com a preservação da floresta amazônica, mas não pensamos nela na hora de comprar móveis ou madeira para construção. Por outro lado, muitos consumidores são conscientes de alguns impactos ambientais de seus hábitos de consumo, mas geralmente não tem informação sobre o que fazer. Por exemplo, fazem a separação do lixo, mas poucos municípios oferecem a coleta seletiva.O Idec gostaria de colocar em debate a gestão de resíduos sólidos, ou seja, o que faremos com o volume crescente de lixo que geramos todos os dias. Entendemos que o princípio para esse debate é a co-responsabilidade, ou seja, a responsabilidade sobre a gestão dos resíduos sólidos deve ser compartilhada pelo poder público, pelas empresas e pelos consumidores.O Brasil ainda não possui uma política nacional de resíduos sólidos, assunto discutido há décadas pelo legislativo e pela sociedade civil. Na visão do Idec e da Adocon, seguindo o princípio da co-responsabilidade, a Política Nacional de Resíduos Sólidos deve prever a Responsabilidade Estendida do Produtor.